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quinta-feira, 31 de março de 2011

MORTOS VIVOS



Assim como o princípio germinativo da semente é colocado na cova de barro, para desenvolver-se entre as vidas microscópicas que constituem a Terra, o espírito é situado no vaso da carne, entre as forças celulares que lhe tecem o corpo, a fim de criar qualidades sublimes que o ergam, em definitivo à gloriosa imortalidade.

Contudo, muitas almas fazem do veículo físico simplesmente um sepulcro a que se agregam enfermiças e indolentes coladas à morte moral que trazem consigo, à maneira de tartaruga que se algema à carapaça.

E a existência no mundo lhes corre instintiva e obscura, no velho roteiro dos animais.

Alimentam-se - Bebem - Dormem   - Procriam. E obedecem automaticamente às ordens da natureza.

É por isso que observamos, por toda parte, homens e mulheres, copiando a imobilidade das múmias preciosas em casas solarengas, enobrecidas e bem postas, semelhantes a mausoléus, em cujo recinto dominam a inércia renitente e a noite espiritual...

Aqui, é alguém que adquiriu títulos respeitáveis no santuário acadêmico e apodrece entre bibliotecas geladas e inúteis para a lavoura do bem...

Ali, é alguém que edificou expressiva trincheira de ouro junto à qual levanta todo um oásis de egoísmo fulgurante, cadaverizado sobre o leito de moedas e rosas que o tempo consome...

Mais adiante, é alguém que encontrou a bênção da fé e, a pretexto de escalar o paraíso sem dificuldade, foge ao trabalho e à cooperação, anulando-se na sepultura da contemplação ruinosa e infrutífera...

Acolá, é alguém que se acomodou ao brilho estreito da própria inteligência, construindo para si mesmo o aparatoso féretro da vaidade e do orgulho, no qual prefere a letargia da incompreensão e do isolamento...

Recorda o tempo que, em nome do Senhor, te segue os passos da infância à senectude e aproveita-o na criação do elevado destino que te cabe atingir.

Desperta e vive. - Aprende e serve. - Levanta-te e caminha. Ouçamos o Cristo e acompanhemo-Lo.

As horas que te abriram as rendas do berço, descerrar-te-ão as portas do túmulo. E, além da sombra terrestre, para que estejas vivo entre os mortos, é preciso tenhas sido, entre os mortos do mundo, um coração vivo e atuante na obra de Deus.

EMMANUEL - Psicografada por Francisco Cândido Xavier - 19/5/1967

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