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terça-feira, 1 de março de 2011

VENCENDO A MORTE

A história das Religiões é toda um hino de beleza à vida e de glória à imortalidade, exaltando o enobrecimento dos serviços e ideais de liberdade, em nome da pujança do amor de Deus.

O Cristianismo, por sua vez, é a saga da sobrevivência, em que o ser espiritual indestrutível, sob qualquer condição considerado antecede ao corpo e sobrevive ao túmulo.

O atavismo animal que luta em favor do instinto de conservação -bênção de Deus para auxiliar o ser na luta contra o autocídio- responde pelos receios em torno da morte, de que as escolas de pensamento materialista se utilizam para reduzir a realidade do Espírito ao primarismo do nada.

A morte seria, então, uma forma de o homem fugir à responsabilidade moral dos atos, numa atitude escapista que violenta as próprias leis da Natureza, que prescrevem transformações, mutações e modificações nas formas, jamais o aniquilamento, portanto, não sendo factível que ao princípio pensante estivesse destinada a destruição...

Indispensável que o homem inteligente, face ao processo natural de crescimento que o ensina a viver se capacite para o processo do morrer, e, em consequência, para este inevitável fenômeno.

Desde que ele ocorre, automaticamente, na organização fisiológica, é compreensível que viver, significa estar morrendo, daí se depreendendo Que morrer, é também começar a viver.


O processo da morte dá-se de acordo com os comportamentos fisiológicos e psicológicos de cada criatura, sendo a sua duração de dor, o resultado da luta que a saúde trava contra a invasão da enfermidade, até que a degenerescência dos órgãos estabeleça o anestésico natural que se expressa na paz da própria morte.

As expressões fisionômicas traduzindo dor, os gemidos e estertores não são, no moribundo, uma real significação de sofrimento, mas reações orgânicas naturais, de que o Espírito nem sempre participa, na maioria das vezes encontrando-se semidesligado do veículo em transformação.

Asfixia, síncope e degenerescências dos órgãos expressando razões propiciatórias da morte física, apenas são os meios, graças aos quais o Espírito se liberta, mantendo a soberania da sua realidade, tão logo se desprende dos vínculos que o aturdiam no escafandro corporal...

Goethe, no momento final, exclamou: "Mais luz!" Beethoven, percebendo a hora extrema, bradou: "Eu ouvirei". Milton, o excelente poeta inglês, à hora máxima do desprendimento, cego que era, explodiu em sorrisos: "Vejo!" Edison, o grande gênio, despertando de um estado de coma, afirmou: "Há muita beleza lá." A galeria das personalidades célebres que recuperaram as faculdades obnubiladas no momento da morte, é grande e comovedora.

São inumeráveis aqueles que tiveram morte clínica e, retomando ao corpo, recordaram da liberdade de que se viam objeto, nos momentos em que a consciência cerebral e mesmo este se encontravam impossibilitados de registros, demonstrando a inteireza de ação independente do corpo...

Em todos os tempos, volveram à Terra para demonstrar a sobrevivência, aqueles que vadearam o rio da morte, sem que se consumissem no nada ou se desintegrassem.

Morte é vida estuante!

Prepara-te para compreender a libertação do corpo, quanto te foi imposto pelas leis biológicas para o fenômeno do renascimento. Da mesma forma que o momento físico da reencarnação é indolor, sem sofrimento também é o da desencarnação.

Acompanha, mentalmente, os que viajam pela morte, pensando que o teu dia chegará e prepara-te para o instante que assinalará como fenômeno inevitável, de que te não furtarás.

Adapta-te à idéia e vence o temor, considerando o fato como natural -natural que o é- e quando sejas convidado à libertação, deixa-te conduzir sem neurose, pelo anjo da benevolência que te conduzirá para a Vida plena e verdadeira.

... E enquanto isto não ocorre, em definitivo, abre-te ao amor e abebera-te da Doutrina Espírita que, ensinando a vencer a morte, trouxe Jesus de volta e iniciou a Era da Imortalidade em triunfo, facultando a vivência da felicidade sem jaça e da paz sem receio.
JOANNA DE ÂNGELIS
Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco em 21.08.82, no Centro Espírita "Caminho da Redenção", em Salvador, Bahia.

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