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domingo, 7 de agosto de 2011

CONFLITOS DEGENERATIVOS DA SOCIEDADE




A crise de credibilidade, de confiança, de amor instaura o estado conflitivo da personalidade que perde o roteiro, inca­paz de definir o que é correto ou não, qual a forma de com­portamento mais compatível com a época e, ao mesmo tem­po, favorável ao seu bem-estar, anquilosando pessoas refra­tárias ao progresso nas idéias superadas ou produzindo gru­pos rebeldes fadados à destruição, que se entregam à desor­dem, à contra-cultura, buscando sempre chocar, agredir.
Os grupos opostos se afastam, se armam e se agridem.
O homem ainda não aprendeu a ser solidário quando não concorda, preferindo ser solitário, ser opositor.
Certamente, a renovação é lei da vida.
A poda faculta o ressurgimento do vegetal.
O fogo purifica os metais, permitindo-lhes a moldagem.
A argila submete-se ao oleiro.
A vida social é resultado das alterações sofridas pelo ho­mem, seu elemento essencial.
É necessário, portanto, que se dê a transformação, a evo­lução dos conceitos, o engrandecimento dos valores. Para tal fim, às vezes, é preciso que ocorra a demolição das estratificações, do arcaico, do ultrapassado. Lamentavelmente, po­rém, nesta ação demolidora, a revolta contra o passado, pre­tendendo apagar os vestígios do antigo, vai-lhe até as raízes, buscando extirpá-las.
O homem e a sociedade, sem raízes não sobrevivem.
No começo, o paganismo greco-romano era uma bela doutrina, rica de símbolos e significados, caracterizando o processo psicológico da evolução histórica do homem. O abuso, mais tarde, fê-lo degenerar e a Doutrina cristã se apre­sentou na forma de um corretivo eficaz, oportuno. A dosa­gem exagerada, porém, terminou por causar danos inespera­dos, no largo período da noite medieval, da qual algumas re­ligiões contemporâneas ainda padecem os efeitos negativos.
O mesmo vem acontecendo com a sociedade que, para livrar-se das teias da hipocrisia, da hediondez, dos precon­ceitos, da vilania, da prepotência, elaborou os códigos da li­berdade, da igualdade, da fraternidade, em lutas sangrentas, ainda não considerados além das formulações teóricas e refe­rências bombásticas, sem repercussão real no organismo das comunidades humanas em sofrimento.
As recentes reações culturais contra a autenticidade da conduta têm produzido mais males que resultados positivos.
Em nome da evolução, sucedem-se as revoluções destru­tivas que não oferecem nada capaz de preencher os espaços vazios que causam.
A insatisfação do indivíduo fustiga e perturba o grupo no qual ele se localiza, sendo expulso pela reação geral ou tor­nando-se um câncer em processo metastático. Facilmente o pessimista e o colérico contaminam os desalentos, passando-lhes o morbo do desânimo ou o fogo da irritação, a prejuízo geral.
Armam-se querelas desnecessárias, altera-se a filosofia dos partidos existentes, que se transferem para a agressivida­de, as acusações descabidas, sem trabalho à vista para a reti­ficação dos erros, a reabilitação moral dos caídos, para o bem-estar coletivo.
Cada pequeno grupo dentro do grupo maior, sem consen­so, busca atrapalhar a ação do adversário, mesmo quando benéfica, porque deseja demonstrar-lhe a falência, movido pelos interesses personalistas, em detrimento do processo de estabilidade e crescimento de todos.
O personalismo se agiganta, as paixões servis se revelam, o idealismo cede lugar à vileza moral.
A predominância do egoísmo em a natureza humana faz-se responsável pelo caos em volta, no qual os conflitos dege­nerativos da sociedade campeiam.
Surgem as plataformas frágeis em favor do grupo desde que sob o comando e a alternativa única do ególatra, que ali­cia outros semelhantes, que se lhe acercam, igualmente ansi­osos por sucessos que não merecem, mas que pleiteiam. In­seguros, incapazes de competir a céu aberto, honestamen­te, aguardam na furna da própria pequenez, por motivos ver­dadeiros ou não, para incendiarem o campo de ação alheia, longe dos objetivos nobres, porém reflexos dos seus estados íntimos conflituosos.
Não se tornam adversários leais, porque a inveja, antes, os fizera inimigos ocultos que aguardavam ensejo para des­velarem-se.
Face às distonias pessoais de que são portadores, decan­tam a necessidade do progresso da sociedade e bloqueiam-no com a astúcia, a desarticulação de programas eficientes, an­tes de testados, atacando-os vilmente e aos seus portadores, a quem ferem pessoalmente, pela total impossibilidade de per­manecerem no campo ideológico, já que não possuem idea­lismo.
Estimulam a dissensão, porque os seus conflitos não os auxiliam a cooperar, entretanto, os motivam a competir. Não podem trabalhar a favor, porque os seus estímulos somente funcionam quando se opõem.
Em razão da insegurança pessoal desconfiam dos senti­mentos alheios e provocam distúrbios que se originam em suspeitas injustificáveis, a soldo do prazer mórbido que os assinala.
O conflito íntimo é matriz cancerígena no organismo hu­mano em constante ameaça ao grupo social.
Cabe ao homem em conflito revestir-se de coragem, re­solvendo-se pelo trabalho de identificação das possibilida­des que dispõe, ora soterradas nos porões da personalidade assustada.
Sentindo-se incapaz de enfrentar-se, a busca de alguém capacitado a apontar-lhe o rumo e ajudá-lo a percor­rê-lo é tão urgente quão indispensável. Inúmeras terapias es­tão ao seu alcance, entre os técnicos da área especializada, assim como as da Psicologia Transpessoal apresentando-lhe a intercorrência de fatores paranormais e da Psicologia Espí­rita, aclarando-o com as luzes defluentes dos fenômenos ob­sessivos geradores dos problemas degenerativos no indiví­duo e na sociedade.
O conglomerado social, por sua vez, tem o dever de auxi­liar o homem em conflito, de ajudá-lo a administrar as suas fobias, ansiedades, traumas, e mesmo o de socorrê-lo nas expressões avançadas quando padecendo psicopatologias di­versas, em ética de sobrevivência do grupo, pois que, do con­trário, através do alijamento de cada membro, quando vier a ocorrência se desarticulará o mecanismo de sustentação da grei.
A sociedade deve responder pelos elementos que a cons­tituem, pelos conflitos que produz, assim como assume as glórias e conquistas dos felizardos que a compõem.
Os conflitos degenerativos da sociedade tendem a desa­parecer, especialmente quando o homem, em se encontrando consigo mesmo, harmonize o seu cosmo individual (micro), colaborando para o equilíbrio do universo social (macro), no qual se movimenta.

O HOMEM INTEGRAL - DIVALDO PEREIRA FRANCO - DITADO PELO ESPÍRITO JOANNA DE ÂNGELIS

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