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domingo, 28 de agosto de 2011

MEDITAÇÃO E AÇÃO




O autodescobrimento é o clímax de experiências do conhecimento e da emoção, através de uma equilibrada vivên­cia.

Para consegui-lo, faz-se indispensável o empenho com que o homem se aplique na tarefa que o possibilita. É certo que o tentame se reveste inicialmente de várias dificuldades aparentes, todas passíveis de superadas.

A realização de qualquer atividade nova se apresenta com­plexa pelo inusitado da sua própria constituição. Não há, to­davia, nada, com que o indivíduo não se acostume. Demais, tudo aquilo que se torna habitual reveste-se de facilidade.

Assim, a busca de si mesmo, para a liberação de confli­tos, amadurecimento psicológico, afirmação da personalida­de, resulta de uma consciente disposição para meditar, evi­tando o emprego de largos períodos que se transformam em ato constrangedor e aborrecido.

A meditação deve ser, inicialmente, breve e gratificante, da qual se retorne com a agradável sensação de que o tempo foi insuficiente, o que predispõe o candidato a uma sua di­latação.

Através de uma concentração analítica, o neófito exami­na as suas carências e problemas, os seus defeitos e as solu­ções de que poderá dispor para aplicar-se.

Não se trata de uma gincana mental, mas de uma sincera observação de si mesmo, dos recursos ao alcance e dos temores, condiciona­mentos, emoções perturbadoras que lhe são habituais.

Estu­dando um problema de cada vez, surge a clara solução como proposta liberativa que deve ser aplicada sem pressa, com naturalidade.

A sua repetição sistemática, sem solução de continuida­de, uma ou duas vezes ao dia, cria uma harmonia interior capaz de resistir às investidas externas sem perturbar-se, por mais fortes que se apresentem.

Após a meditação analítica, descobrindo as áreas frágeis da personalidade e os pontos nevrálgicos da conduta, o exer­cício de absorção de forças mentais e morais torna-se-lhe o antídoto eficiente, que predispõe ao bem-estar, encorajando ante as inevitáveis lutas e vicissitudes do viver cotidiano.

As empresas do dia-a-dia fazem-se fenômenos existenci­ais que não assustam, porque o indivíduo conhece as suas possibilidades de enfrentamento e realização, aceitando umas, e de outras declinando, sem aturdimentos emocionais, nem apegos perturbadores.

Sucessivamente passa do estado de análise para o de tranquilidade, deixando a reflexão e experimentando a harmo­nia, sem discussão intelectiva, como quem se embriaga da beleza de uma paisagem, de uma agradável recordação, da audição de uma página musical, de um enlevo, nos quais ape­nas frui, sem questionamento, sem raciocinar. Fruir é banhar-se por fora e penetrar-se por dentro, simplesmente, desfru­tando.

Passado um regular período de alguns anos, por exemplo, a avaliação patenteará os resultados.

Quais as conquistas ob­tidas? De que se libertou? Quantas aquisições de instrumen­tação para o equilíbrio? Estas questões se revestem de magna significação, por atestarem o progresso emocional logrado, dispondo a mais amplos experimentos.

A meditação, portanto, não deve ser um dever imposto, porém, um prazer conquistado.

Sem a claridade interior para enfrentar os desafios pesso­ais, o indivíduo transfere-os de uma para outra circunstância, somando frustrações que se convertem em traumas inconsci­entes a perturbarem a inteireza da personalidade.

A meditação, no caso em pauta, abre lugar à ação, sendo, ela mesma, uma ação da vontade, a caminho da movimenta­ção de recursos úteis para quem a utiliza e, por extensão, para as demais pessoas.

O homem, que se autodescobre, faz-se indulgente e as suas se tornam ações de benevolência, beneficência, amor. O seu espaço íntimo se expande e alcança o próximo, que al­berga na área do seu interesse, modificando para melhor a convivência e a estrutura psicológica do seu grupo social.

A ação consolida as disposições comportamentais do in­divíduo, ora impregnado pelo idealismo de crescimento emo­cional, sem perturbações, e social, sem conflitos de relacio­namento.

Em razão da sua identidade transparente, passa a compre­ender os dilemas e dificuldades dos outros, cooperando a be­nefício geral e fazendo-se mola propulsionadora do progres­so comum.

A ação é o coroamento das disposições íntimas, a materialização do pensamento nas expressões da forma. Aquela que resulta da meditação é proba, e tem como objetivos imedia­tos a transformação do ambiente e do homem, ensejando­-lhes recursos que facultam a evolução e a paz.

Assim, o ato de meditar deve ser sucedido pela experiência do viver-agir, porquanto será inútil a mais excelente terapia teórica ao paci­ente que se recusa, ou não se resolve aplicá-la na sua enfermidade.

Tal procedimento, a ação bem vivenciada, faz que o ho­mem se sinta satisfeito consigo mesmo, o que lhe faculta es­pontânea alegria de viver, conhecendo-se e amadurecendo psicologicamente para a existência.

Caracterizam a conduta de um homem que medita e age, uma mente bondosa e um coração afável. Vencendo as suas más inclinações adquire sabedoria para a bondade, evitando as paixões consumidoras. Assim, faz-se pacífico e produti­vo, não se aborrecendo, nem brigando, antes harmonizando tudo e todos ao seu redor.

Essa transformação processa-se lentamente, e ele se dá conta só após vencidas as etapas da incerteza e do treinamen­to.

A ação gentil coroa-lhe o esforço, nunca lhe permitindo a presença da amargura, do ódio, do ressentimento e dos seus sequazes...

Uma das diferenças entre quem medita e aquele que o não faz, é a atitude mental mediante a qual cada um enfrenta os problemas. O primeiro age com paciência ante a dificul­dade e o segundo reage com desesperação.

Assim, o importante e essencial é dominar a mente, ad­quirindo o hábito de ser bom.

O HOMEM INTEGRAL - DIVALDO PEREIRA FRANCO - DITADO PELO ESPÍRITO JOANNA DE ÂNGELIS

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