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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A DIFERENÇA PEDE LICENÇA


Interessante essa característica sociológica, que ainda acalentamos em nosso convívio, de tudo rotularmos...
No que se relaciona às pessoas, ela assume ares de profunda injustiça, em virtude  de o ser humano se constituir num eterno devir...
Somos efetivamente mutantes, não apenas no nosso corpo, que se transforma, cria-se e recria-se ao longo da existência física; também na alma, vez  que as experiências e aprendizados da vida nos transformam...
A cultura característica de cada contexto social impõe o rótulo do 'normal' e do 'anormal' ou 'diferente', quando os condicionantes da civilização nos exige mais humanidade no trato...
Entretanto, em virtude de sermos efetivamente únicos em cada individualidade, somos verdadeiramente, todos, diferentes...
Na dimensão real da vida, pois, tudo é normal, todos são 'normais', vivenciando as experiências determinadas pelas necessidades evolutivas que cada um de per si constrói a cada instante...
Por outro lado, ante as leis naturais da vida, compete  àquele que mais detém, seja no campo das posses materiais, ou das possibilidades do aprendizado redentor da alma, mais servir...
As diferenças, portanto, em especial aquelas limitantes do interagir com a vida e com os outros, ao invés de rótulos, requisitam compreensão fraterna e acolhimento humano...
Se é verdade que apenas em origem e destino somos iguais, como aceitamos, como as leis maiores da vida nos ensinam, as possibilidades, as opções, as dificuldades, as características, mesmo as agruras ou estesias do caminho trilhado por cada um, segundo seu arbítrio e as condicionantes das leis naturais, merece respeito, compreensão, acolhimento fraterno e o apoio amoroso que cada um de nós tenha conseguido se tornar capaz de dar...
Importa, ainda, não olhar essas situações com sentimento menor de pena ou de limitações, senão com o incentivo à superação de todo e qualquer limite e a descoberta, paciente e serena e persistente, das possibilidades redentoras e evolutivas de que toda experiência de vida se reveste, à mercê da bondade divina...
Inexistem coitados ou desprivilegiados da sorte, quando observamos as coisas na dimensão da realidade última da vida, a dimensão da espiritualidade...
Quando a incomparável Maria de Magdala se regozija ante a lepra que se lhe apresenta, dissolvendo no corpo transitório os miasmas que lhe corriam da alma, temos dificuldade de entendê-la, apenas pelo fato de ainda olharmos a vida com os olhos da materialidade, esquecidos que ainda nos achamos de nossa realidade espiritual...
O Mestre Galileu nos exortou à compreensão de que, como filhos de Deus que somos, necessitamos despertar para essa realidade e nos tornarmos o sal da terra e a luz do mundo!...
Possamos estar resolutamente nos dedicando a esse despertar que transformará nossa realidade mais íntima e contribuirá para a construção de um mundo melhor!!!

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