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terça-feira, 16 de agosto de 2011

A RECONQUISTA DA IDENTIDADE




A imaturidade psicológica do homem leva-o a anular a própria identidade, face aos receios em relação às lutas e ao mundo nas suas características agressivas. A timidez confun­de-o, fazendo que os complexos de inferioridade lhe aflo­rem, afastando-o do grupo social ou propelindo-o à tomada de posições que lhe permitam impor-se aos demais. A vio­lência latente se lhe desvela, disfarçando os medos que lhe são habituais.

Ocultando a identidade, mascara-se com personalidades temporárias que considera ideais -cada uma a seu turno- e que são copiadas dos comportamentos de pessoas que lhe parecem bem, que triunfaram, que são tidas como modela­res, na ação positiva ou negativa, aquelas que quebraram a rotina e que, de alguma forma, fizeram-se amadas ou temidas.

Gestos e maneirismos, trajes e ideologias são copiados, assumindo-lhes o comportamento, no qual se exibe e conso­me, até passar a outros modelos em voga que lhe despertem o interesse.

Na superficialidade da encenação, asfixia-se, mais se con­flitando em razão da postura insustentável que se vê obriga­do a manter.

Como efeito do desequilíbrio, passa a fingir em outras áreas, evitando a atitude leal e aberta, mas, sempre sinuosa, que lhe constitui o artificialismo com que se reveste.

Vulnerável aos acontecimentos do cotidiano, sem identi­dade, é pessoa de difícil relacionamento, vez que tem a preo­cupação de agradar, não sendo coerente com a sua realidade interior e, mutilando-se psicologicamente, abandona, sem escrúpulos, os compromissos, as situações e as amizades que, de momento, lhe pareçam desinteressantes ou perturbadoras...

A falta de identidade cria o indivíduo sem face, dissimu­lador, com loquacidade que obscurece as suas reais impres­sões, sustentando condicionamentos cínicos para a sobrevi­vência da representação.

Cada criatura é a soma das próprias experiências cultu­rais, sociais, intelectuais, morais e religiosas. O seu arquéti­po é caracterizado pelas suas vivências, não sendo igual ao de outrem. A sua identidade é, portanto, a individualidade real, modeladora da sua vida, usufrutuária dos seus atos e realizações.

No variado caleidoscópio das individualidades, surge o grupo social das afinidades e interesses, das aspirações e tro­cas, da convivência compartilhada.

Os destaques são aqueles de temperamento mais vigoro­so de que o grupo necessita, na condição de líderes naturais, de expressões mais elevadas, que servem de meta para os que se encontram na retaguarda. Nenhum contra-senso ou prejuízo em tal exceção.

A generalidade é o resultado dos biótipos de nível equi­valente, sem que sejam pessoas iguais, que não as existem, porém, com uma boa média de realizações semelhantes.

Em razão do processo reencarnatório, alguns indivíduos recomeçam a existência física sob injunções conflitantes, que devem enfrentar, sem fugir aos objetivos que a Vida a todos destina.

Como cada um é a sua realidade, ninguém melhor ou pior, face à sua tipologia. Existem os mais e os menos dotados, com maior ou menor soma de títulos, de valores, porém, ne­nhum sem os equipamentos hábeis para o crescimento, para alcançar o ideal desafiador que luz à frente.

É um dever emocional assumir a sua identidade, conhe­cer-se e deixar-se conhecer.

Certamente, não nos referimos à necessidade de o indiví­duo viver as suas deficiências, impondo-as ao grupo social no que se encontra... Porém, não escamotear os próprios li­mites e anseios ainda não logrados, mantendo falsas posturas de sustentação impossível, é o compromisso existencial que leva a um equilibrado amadurecimento emocional.

Afinal, todos os indivíduos se encontram, na Terra, em processo de evolução. Conseguida uma etapa, outra se lhe apresenta como o próximo passo. A satisfação, a parada no patamar conquistado leva ao tédio, ao cansaço da vida.

Aventurar-se, no bom e profundo sentido da palavra, é a estimulação de valores, revelação dos conteúdos íntimos, pro­posta de experiência nova. A ansiedade e a incerteza decor­rentes do tentame fazem parte dos projetos da futura estabili­dade psicológica, do armazenamento dos dados que coope­ram para uma vida estável, realizadora e feliz.

Os insucessos e preocupações durante a empresa tor­nam-se inevitáveis e são eles que dão a verdadeira dimensão do que significa lutar, competir, estar vivo, ter uma identida­de a sustentar.

Deste modo, o indivíduo tem o dever de enfrentar-se, de descobrir qual é a sua identidade e, acima de tudo, aceitar-se.

A aceitação faz parte do amadurecimento íntimo, no qual os inestimáveis bens da vida assomam à consciência, que passa a utilizá-los com sabedoria, engrandecendo-se na razão direta que os multiplica.

A sociedade é constituída por pessoas de gostos e ideais diferentes, de estruturas psicológicas diversas, que se harmonizam em favor do todo. Das aparentes divergências surge o equilíbrio possível para uma vida saudável em grupo, no qual uns aos outros se ajudam, favorecendo o progresso comunitário.

O descobrir-se que a própria identidade é única, es­pecial, em decorrência de muitos fatores, favorece a manu­tenção do bem-estar íntimo, impedindo fugas atormentantes e inúteis.

Quem foge da sua realidade, neurotiza-se, padecen­do estados oníricos de pesadelos, que passam à área da cons­ciência, em forma de ameaças de desditas por acontecer, com o mundo mental povoado de fantasmas que não consegue di­luir.

Aceitando-se como se é, possui-se estímulos para auto-aprimorar-se, superando os limites e desajustes por edu­cação, disciplina e lutas empreendidas em favor de conquis­tas mais expressivas.

Somente através da aceitação da sua identidade, sem disfarces, o homem, por fim, adquire o amadurecimento psico­lógico que o capacita para uma existência ideal, libertadora.

A própria identidade é a vida manifestada em cada ser.

O HOMEM INTEGRAL - DIVALDO PEREIRA FRANCO - DITADO PELO ESPÍRITO JOANNA DE ÂNGELIS

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