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sábado, 20 de agosto de 2011

PROBLEMAS SEXUAIS




Herança animal predominante em a natureza humana, o instinto de reprodução da espécie exerce um papel de funda­mental importância no comportamento dos seres. Funcionan­do por impulsos orgânicos nos irracionais, expressa-se como manifestação propiciatória à fecundação nos ciclos orgâni­cos, periódicos, em ritmos equilibrados de vida.
No homem, face ao uso, que nem sempre obedece à fina­lidade precípua da perpetuação das formas, experimenta agres­sões e desvios que o desnaturam, tornando-se, o sexo, fator de desditas e problemas da mais variada expressão.
Face à sensação de prazer que lhe é inata, a fim de atrair os parceiros para a comunhão reprodutora, torna-se fonte de tormentos que delineiam o futuro da criatura.
Considerando-se a força do impulso sexual, no compor­tamento psicológico do homem, as disjunções orgânicas, a configuração anatômica e o temperamento emocional tornam-se de valor preponderante na vida, no inter-relacionamento pessoal, na atitude existencial de cada qual.
A sua carga compressiva, no entanto, transfere-se de uma para outra existência corporal, facultando um uso disciplina­do, corretor, em injunções específicas, que por falta de escla­recimento leva o indivíduo a uma ampla gama de psicopato­logias destrutivas na área da personalidade.
Com muita razão, Alice Bailey afirmava, diante dos fe­nômenos de alienação mental, que eles podem ser “...de na­tureza psicológica, hereditários por contatos coletivos e cár­micos”. Introduzia, então, o conceito cármico, na condição de fator desencadeante das enfermidades a expressar-se nas manifestações da libido, de relevante importância nos estu­dos freudianos.
O conceito, em torno do qual o homem é um animal sexu­al, peca, porém, pelo exagero.
Naturalmente, as heranças atá­vicas impõem-lhe a força do instinto sobre a razão, levando-o a estados ansiosos como depressivos. Todavia, a necessida­de do amor é-lhe superior. Por falta de uma equilibrada com­preensão da afetividade, deriva para as falazes sensações do desejo, em detrimento das compensações da emoção.
Mais difícil se apresenta um saudável relacionamento afe­tivo do que o intercurso apressado da explosão sexual, no qual o instinto se expressa, deixando, não poucas vezes, frus­tração emocional.
Passados os rápidos momentos da comu­nhão física, e já se manifestam a insatisfação, o arrependi­mento, os conflitos perturbadores...
A falta de esclarecimento, no passado, em torno das fun­ções do sexo, os mistérios e a ignorância com que o vestiram, desnaturaram-no.
A denominada revolução sexual dos últimos tempos, igualmente, ao demitizá-lo, abriu espaços de promiscuidade para os excessivos mitos do prazer, com a consequente des­valorização da pessoa, que se tornou objeto, instrumento de troca, indivíduo descartável, fora de qualquer consideração, respeito ou dignidade.
A sociedade contemporânea sofre, agora. os efeitos da liberação sem disciplina, através da qual a criatura vive a ser­viço do sexo, e não este para o ser inteligente, que o deve conduzir com finalidades definidas e tranquilizadoras.
As aberrações se apresentam, neste momento, com cida­dania funcional, levando os seus pacientes a patologias gra­ves que alucinam, matam e os levam a matar-se.
A consciência deve dirigir a conduta sexual de cada indi­víduo, que lhe assumirá as consequências naturais.
Da mesma forma que uma educação castradora é respon­sável por inúmeros conflitos, a liberativa em excesso abre comportas para abusos injustificáveis e de lamentáveis efei­tos no psiquismo profundo.
A vida se mantém sob padrões de ordem, onde quer que se manifeste. Não há, aí, exceção para o comportamento do homem. Por esta razão, o uso indevido de qualquer função produz distúrbios, desajustes, carências, que somente a edu­cação do hábito consegue harmonizar.
Afinal, o homem não é apenas um feixe de sensações, mas, também, de emoções, que pode e deve canalizar para objetivos que o promovam, nos quais centralize os seus inte­resses, motivando-o a esforços que serão compensados pelos resultados benéficos.
Exclusão feita aos portadores de enfermidades mentais a se refletirem na conduta sexual, o pensamento é portador de insuspeitável influência, no que tange a uma salutar ou desequilibrada ação genésica.
O mesmo fenômeno ocorre nas mais diferentes manifes­tações da vida humana. Mediante o seu cultivo, eles se exte­riorizam no comportamento de forma equivalente.
A vida, portanto, saudável, na área do sexo, decorre da educação mental, da canalização correta das energias, da ação física pelo trabalho, pelos desportos, pelas conversações edificantes que proporcionam resistência contra os derivativos, auxiliando o indivíduo na eleição de atitudes que proporcio­nam bem-estar onde quer que se encontre.
As ambições malconduzidas, toda frustração decorrente do querer e não poder realizar, dão nascimento ao conflito. O conflito, por sua vez, quando não equacionado pela tranquila aceitação do fato, sobrepondo a identidade real ao ego domi­nador e insaciável, termina por gerar neuroses. Estas, susten­tadas pela insatisfação, transmudam-se em paranóia de ca­tastróficos resultados na personalidade.
Considerado na sua função real e normal, o sexo é san­tuário da vida, e não paul de intoxicação e morte.
Estimulado pelo amor, que lhe tem ascendência emocio­nal, propicia as mais altas expressões da beleza, da harmo­nia, da realização pessoal; acalma, encoraja para a vida, tor­nando-se um dínamo gerador de alegrias.
Os problemas sexuais se enraízam no espírito, que se atur­de com o desregramento que impõe ao corpo, exaurindo as glândulas genésicas e exteriorizando-se em funções incorre­tas, que se fazem psicopatologias graves, a empurrar a sua vítima para os abismos da sombra, da perversidade e do cri­me.
A liberação das distonias sexuais, mais perturbam o ser, que se transfere de uma para outra sensação com sede cres­cente, mergulhando na promiscuidade, por desrespeito e des­prezo a si mesmo e, por extensão, aos outros.
A sua é uma óptica desfocada, pela qual passa a ver o mundo e as demais pessoas na condição de portadoras dos seus mesmos proble­mas, só que mascaradas ou susceptíveis de viverem aquela conduta, quando não deseja impor a sua postura especial como regra geral para a sociedade.
Sob conflito psicológico, o portador de problema sexual, ou de outra natureza, não se aceita, fugindo para outros com­portamentos dissimuladores; ou quando se conscientiza e re­solve-se por vivê-lo, assume feição chocante, agressiva, como uma forma de enfrentar os demais, de maneira antinatural, demonstrando que não o digeriu nem o assimilou.
Toda exibição oculta um conflito de timidez ou inconfor­mação, de carência ou incapacidade.
Uma terapia psicológica bem cuidada atenua o problema sexual, cabendo ao paciente fazer uma tranquila auto-análi­se, que lhe faculte viver em harmonia com a sua realidade interna, nem sempre compatível com a sua manifestação ex­terna.
Não basta satisfazer o sexo -toda fome e sede, de mo­mento, saciadas, retornam, em ocasião própria- mas, har­monizar-se, emocionalmente, vivendo em paz de consciên­cia, embora com alguma fome perfeitamente suportável, ao invés do constante conflito da insatisfação decorrente da ima­ginação fértil, que programa prazeres contínuos e elege com­panhias impossíveis de conseguidas em qualquer faixa sexu­al que se estagie.
Ninguém se sente pleno, no mundo, acreditando-se haver logrado tudo quanto desejava.
A aspiração natural e calma para atingir um próximo pa­tamar, faz-se estímulo para o progresso do indivíduo e da sociedade.
Os problemas sexuais, por isto mesmo, devem ser enfren­tados sem hipocrisia, nem cinismo, fora de padrões estereoti­pados por falsa moralidade, tampouco levados à conta de pequeno significado. São dificuldades e, como tais, merecem consideração, tempo e ação especializada.

O HOMEM INTEGRAL - DIVALDO PEREIRA FRANCO - DITADO PELO ESPÍRITO JOANNA DE ÂNGELIS

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