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quarta-feira, 13 de julho de 2011

LIBERTAÇÃO DOS CONTEÚDOS NEGATIVOS



Graças ao atavismo predominante em sua natu­reza, o homem guarda as primeiras expressões da consciência em nível inferior, no qual confunde o eu com o objeto, e a sua é somente uma percepção sen­sorial.

A identificação com o próprio corpo propicia-lhe uma consciência orgânica, deformada, de que se libe­ra a pouco e pouco, avançando para a transferência desse conteúdo para outro nível de discernimento e direcionamento.

No processo de evolução, porque estagia nas fai­xas do instinto que o submete, vai adquirindo outros valores, sem desidentificar-se dos conteúdos fixados, em razão dos quais a marcha se lhe torna muito lenta.

A consciência individual, representando a Cósmi­ca, a princípio parece deslocada e diferenciada. No entanto, o Deus em nós do conceito evangélico refle­te-se nessa percepção embrionária, que se desenvol­verá na sucessão das experiências até liberar-se e al­cançar a totalidade.

De forma penosa, não raro, a libertação dos con­teúdos negativos — paixões dissolventes, apegos, ilu­sões, sentimentos inferiores — faculta os anseios pe­las conquistas de outros níveis, nos quais o bem-estar e a paz formam os novos hábitos, a nova natureza do ser.

A Psicologia tradicional, considerando patológi­cos os níveis superiores, define cada um deles com nomenclatura especial, por desinteresse de penetrar nos estados alterados da consciência, que levariam à constatação do ser preexistente ao corpo como so­brevivente à morte.

No nível de consciência inferior, os estados alte­rados demonstram que muitos desses conteúdos ne­gativos, emergentes e predominantes, procedem das reencarnações passadas, não foram liberados, nem con­seguiram diluir-se através das ações enobrecedoras.

Todos os conteúdos primitivos provêm de realiza­ções e fixações sempre anteriores, que somente as disciplinas do esforço, da concentração, da meditação para a ação, conseguem libertar.

Em razão disso, a meditação é uma terapia valio­sa para superar os conteúdos negativos, com o objeti­vo de liberar o inconsciente, ao invés de esmagá-lo ou asfixiá-lo, e, longe, ainda, de o conscientizar, gerar novas formulações e identificações atuais que, no fu­turo, assomarão como recursos elevados.

Todos os formuladores da consciência superior são unânimes, seja no orientalismo ou na Psicologia Trans-pessoal, em recorrer à terapia da meditação, que fa­culta o autoconhecimento, preenche os vazios causa­dos pela insatisfação, anula o eu corporal — rico das necessidades dos sentidos — para despertar os ideais subjetivos, as transferências metafísicas.

No nível de consciência superior, o eu deixa de ser mais eu, para ser uma síntese e vibrar em harmo­nia com o Todo.

Desaparece a fragmentação da Unidade e o equi­líbrio transpessoal sincroniza com a Consciência Uni­versal.

A característica fundamental do nível inferior, por­tanto, da prevalência dos conteúdos negativos, é a fra­gilidade do Eu profundo ante as exigências do ego atormentado, gerando projeções da sombra e desar­ticulando os projetos de paz.

A Psicologia espírita, por sua vez, cuidando do homem integral, distingue também nos conteúdos psíquicos, negativos, a ingerência de mentes desen­carnadas obsessoras, que se comprazem no intercâm­bio perturbador, propiciando desconforto e aflição em desforços cruéis, mediante alienações de variados cursos.

Ao mesmo tempo, seres outros desencarnados, invejosos quão infelizes, vinculados às criaturas hu­manas por afetividade mórbida ou despeito cruento, estabelecem fenômenos de hipnose que retardam o desenvolvimento da consciência daqueles que lhes experimentam o cerco.

Na psicoterapia espírita, o conhecimento da so­brevivência e do inter-relacionamento entre os seres das duas esferas — física e espiritual — oferece proces­sos liberativos centrados sempre na transformação moral do paciente, sua renovação interior e suas ações edificantes, que facultam o discernimento entre o bem e o mal, propiciando a transferência para o nível supe­rior, no qual se torna inacessível à indução perversa.

A meditação, a busca interna, nessa fase, são re­levantes e cientificamente basilares para o processo de crescimento, de discernimento, de lucidez.

O homem avança no rumo da sua destinação, a passo vagaroso nos primeiros níveis de consciência, por desinteresse, ignorância, apressando a marcha na razão direta em que vence tais patamares e descobre a excelência das conquistas com que se enriquece.

A libertação dos conteúdos negativos é inevitá­vel; no entanto, vários fenômenos patológicos e prefe­rências emocionais, perturbadoras, interferem para que sejam mantidos, sendo necessário que os psico­terapeutas vigilantes insistam junto a esses pacien­tes em que se descubram e encontrem os benefícios dos níveis superiores.

Libertação é felicidade, e consciência enriqueci­da pelos conteúdos superiores significa plenitude, rei­no dos céus, mesmo durante o trânsito terrestre.

DIVALDO P. FRANCO - O SER CONSCIENTE - Pelo Espírito Joanna de Ângelis

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