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domingo, 10 de julho de 2011

REFERENCIAIS PARA A IDENTIFICAÇÃO DO SI




Inevitavelmente, as pessoas necessitam de ex­perienciar algumas dessas escamoteações do ego, seus jogos, por falta de estrutura psicológica para suportar a realidade, a verdade.

O mecanismo de fuga pode constituir uma neces­sidade de reprimir algo para cuja manifestação o ser não se sente preparado.

É sempre um risco intentar-se, de inopino, empur­rar o indivíduo para o encontro claro e imediato com o si, face à sua ausência de valores íntimos para reco­nhecer-se frágil — sem deprimir-se, necessitado — sem insegurança em relação ao futuro, aturdido — sem es­perança...

O ser psicológico é, estruturalmente, a soma das suas emoções e conquistas, que caracterizam a indi­vidualidade pessoal no processo de evolução.

A libertação, portanto, dos complexos artifícios de fuga, dar-se-á mediante terapias adequadas, que facultarão o amadurecimento psicológico para a auto-estima e o enfrentamento da realidade suportável.

Qualquer tentativa de esgrimir a verdade — afinal, a verdade de cada qual — pode resultar em conflito mais grave. A queda da máscara desnuda o indivíduo e nem sempre ele deseja ser visto como é — mesmo porque se ignora —, podendo sofrer um choque com o descobrimento prematuro ou alienar-se, por saber-se identificado de forma inadequada, desagradável.

A verdade é absorvida, a pouco e pouco, através da identificação dos valores reais em detrimento dos aparentes, do descobrimento do significado da exis­tência e da sua finalidade.

Os convites existenciais que propelem para o ex­terior, para a aparência, modelam a personalidade impondo inúmeros mecanismos de sobrevivência do ego, aos quais o indivíduo se aferra, permanecendo ignorante quanto à sua realidade e aos relevantes objetivos da vida.

As ilusões, desse modo, são comensais da criatu­ra, que se apresenta conforme gostaria de ser e não de acordo com o si, o eu profundo, o que é. Extirpá-las é condenar o outro ao desamparo, retirar-lhe as ben­galas psicológicas de apoio.

Isto não significa apoio aos comportamentos fal­sos, às personalidades esteriotipadas, antes é respei­to ao direito de cada um viver como pode, e não con­soante gostaria de ser.

Imprescindível que se seja leal, honesto para con­sigo mesmo, desvelando-se e trabalhando-se interiormente.

A experiência de identificação do si é um passo avançado no processo de autodescobrimento, de auto-amadurecimento.

Essa busca interior expressa-se como uma for­ma de insatisfação em relação ao já conseguido — os valores possuidos não preenchem mais os espaços in­teriores, deixando vazios emocionais; uma necessida­de de aprimoramento psicológico, superando os for­malismos, os modismos, o estatuído circunstancial, nos quais a forma é mais importante do que o con­teúdo, o exterior é mais relevante que o interior; uma consciência lúcida, que desperta para os patamares superiores da existência física; uma incontida aspira­ção pelas conquistas metafísicas, face à vigência per­manente do fenômeno da morte em ameaça contí­nua, pois que a transitoriedade da experiência física se apresenta de exíguo tempo, facultando frustração; uma imperiosa busca de paz desvestida de adornos e de condicionais, e um amplo anseio de plenitude.

Com estes referenciais há uma inevitável auto­penetração psicológica, uma busca do si, do autodes­cobrimento, a fim de bem discernir o que se anseia e para que, o que se possui e qual a sua aplicação, a análise do futuro e como se apresentará.

A emersão do si, predominando no indivíduo, e característica de cristificação, de libertação do deus interno, de plenitude.

Quando começa, uma transformação psicológica se opera automaticamente, a escala de valores se al­tera e o comportamento muda de expressão.

A saúde emocional e mental se estabelece, ense­jando uma visão correta em torno dos acidentes orgâ­nicos, que não mais desequilibram, e o fenômeno morte se torna perfeitamente natural, sem fantasmas apa­vorantes ou anelos de antecipação.

Ocorre uma plena harmonia entre o viver — exis­tência física — e a Vida — realidade total.

O self, em razão do processo reencarnatório, fica imerso na névoa carnal, adormecido pelos tóxicos e vapores da indumentária física sob a pressão das ex­periências humanas, dos relacionamentos sociais, nos quais a astúcia e não a sabedoria, a simulação e não a honestidade, a falácia e não o silêncio promovem o indivíduo, granjeiam lugar de destaque na comunida­de. Essa conduta irregular, tal critério, são impediti­vos para a liberação do si.

Campeiam as psicopatologias como efeito da ati­tude do ego em relação ao eu, estando a exigir maior conhecimento das necessidades legítimas.

A conquista do self é processo que se deve co­meçar imediatamente, recorrendo-se às terapias pró­prias e, simultaneamente, aos recursos da oração, da meditação, das ações edificantes.

Cada logro enseja a ambição de alcançar novo patamar, que se torna um desafio atraente, estimulador.

Ninguém, pois, pode deter-se nos níveis inferio­res de consciência, relegando a plano secundário o si, a realidade ambicionada.

DIVALDO P. FRANCO - O SER CONSCIENTE - Pelo Espírito Joanna de Ângelis

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